domingo, 25 de julho de 2010

Improvável


Gostaria de me desculpar a seja lá quem costuma ler o blog, pois fiquei mais de um mês sem postar nada novo. É que as férias chegaram, e como são só três semanas (ok, na verdade serão quatro ao todo), resolvi dar preferência a outras atividades. Lógico, a preguiça de escrever também foi um fator decisivo para o longo abandono do blog... Mas enfim, aqui estou voltando a escrever.

Sobre as atividades a que dei preferência, uma delas foi o Improvável. O grupo de humor Barbixas finalmente apareceu aqui em Porto Alegre, depois de inúmeros pedidos, e teve sua primeira apresentação na última sexta-feira, às 21h, na qual fiz parte da platéia, junto com os pais, o irmão e alguns amigos dele. Na verdade teve um pequeno atraso: o espetáculo teve início às 21h15min, mas a espera não foi em vão.

Os caras estavam ótimos nessa noite. Os convidados, Mariana Armellini e Guilherme Tomé, também não deixaram por menos. Só rolou uma "meio-decepção" por conta do fato do Elídio ter sido o Mestre de Cerimônias da noite - e portanto, não pôde fazer parte dos jogos, a não ser na hora de pegar as sugestões, de tocar a campainha (ou buzina, sei lá) e de falar "Troca!". Mas até que não foi tão ruim porque ele estava divertido mesmo assim. Inclusive ele foi o primeiro a pisar no palco, para fazer a introdução do show, e fez uma espécie de "mini stand-up comedy" ao contar algumas coisas engraçadas sobre São Paulo, sobre o próprio Improvável, etc. Por sempre ter acompanhado somente pela internet, nunca vi essa introdução do show do Improvável, então só por esta parte inicial já valeu a pena.

Não me lembro exatamente todos os jogos que eles fizeram, mas deu para dar altas risadas. Alguns momentos foram tão marcantes que, depois de termos ido embora, continuávamos relembrando e imitando no carro. Aliás o show passou extremamente rápido; depois do último jogo, com todos ainda rindo pra carmaba e crentes que havia vários outros jogos pela frente, eles simplesmente agradeceram, se despediram sob a chuva de aplausos e saíram do palco.

Para os desinformados e curiosos, foi no Teatro da AMRIGS, mas se tu só está sabendo agora, provavelmente já não é mais possível assistir, pois hoje às 19h é a penúltima apresentação, e depois, às 21h, a última. Ou seja, daqui a poucas horas após eu ter escrito este post. Perdeu, preibói.

É isso, aguardem por novidades. Té mais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Games que marcaram época: Introdução

Estava eu pensando esses dias, e me dei conta que mesmo com um PS3 e um computador decente (só faltava uma placa de vídeo melhorzinha, mas enfim...), às vezes não tenho mais tanta vontade de jogar como antigamente, na época do colégio.

Isso acontece, em parte, porque não sou mais o mesmo guri de outrora; tenho outras obrigações, novos interesses e prioridades. E uma coisa desencadeia outra: a falta de tempo me fez jogar menos videogame, jogar menos me fez perder parte da intimidade com os jogos eletrônicos, e a falta de intimidade me fez ter menos vontade de jogar.

Mas o segundo (e principal) motivo é, pasmem, a falta de expressividade e simplicidade dos games na geração atual. Está ficando difícil achar bons jogos. E os bons jogos são tão complicados que às vezes dá preguiça de jogar. Olhem Metal Gear Solid 4, por exemplo. Não vou falar mal do jogo, até porque isso seria o maior crime cometido na minha vida, o jogo beira a perfeição. Mas por que é tão bom? Justamente porque é um jogo extremamente bem elaborado, cada detalhe foi minuciosamente pensado e magistralmente inserido, a história, as personagens, o trabalho de dublagem, os efeitos e a trilha sonora, os gráficos, tudo!

O problema é que isso às vezes enche o saco. Tem horas que eu só quero me distrair um pouco, sem compromisso, sem experiências revolucionadoras de conceitos. Tem vezes que eu penso: "Bah, vou jogar alguma coisa". Mas aí, ao passar o cursor em cima de determinados ícones de jogos na minha área de trabalho, me sinto desestimulado a jogar, pois lembro da quantidade absurda de comandos, combos, técnicas, ações e estratégias possíveis no game, das quais não lembro como se faz nem 30% delas. O fato de perder um tempão "reaprendendo" a jogar tal jogo, a cada vez que eu retomo ele depois de um período longo sem jogatina, me afasta bastante de vários games tanto no meu PC como no meu PS3.

Por isso, a partir desse post, vou escrever esporadicamente uma nova matéria falando de games que marcaram história no mundo do entretenimento eletrônico e, particularmente, marcaram a minha infância e adolescência, justamente pela simplicidade, objetividade e, por que não, pela qualidade. Aqueles jogos que, não importasse o dia, sempre dava vontade de jogar. Aqueles jogos que eram tão simples e viciantes que jogávamos por horas até nossas mães nos expulsarem da frente da televisão a chineladas.

E para finalizar, já adianto a todos os leitores que o primeiro game da matéria será... *tambores rufando* Nada menos do que um dos mais fodásticos e indiscutíveis sucessos da Blizzard: Diablo! Aguardem!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cagada não tem época

Tá brabo com o Dunga porque ele não usa craque? Acha que só tem perna-de-pau na seleção brasileira? Sua vó faz mais gol que o Luís Fabiano? Tem certeza que o Brasil não vai sequer chegar às quartas de final do jeito que andam as coisas?

Pois bem, se tu acha que a seleção está muito mal e não tem a mínima chance nessa Copa, então olha o vídeo que o pessoal do Jovem Nerd indicou no último Nerdcast: 30 lances bizarros do Brasil na Copa de 1970. E claro, não esqueçamos do pequeno detalhe de que o Brasil foi o CAMPEÃO daquela Copa, e que contava com ninguém menos do que o maior e melhor jogador de futebol de todos os tempos. Confiram.



Se algum lance desse tipo acontecesse hoje em dia tu acharia inadmissível para uma seleção com o peso de 5 títulos mundiais, né?

Clique aqui para o post do podcast no próprio site do Jovem Nerd. Té mais.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Vamos Jogar Silent Hill 3 - Parte 6

Juro que não estou jogando, acontece que gravei as partes 4 a 6 todas no mesmo dia, há vários meses, mas só consegui upar as partes 4 e 5, pois na época meu irmão estava jogando adoidado jogos online e só tive tempo de upar estes dois vídeos enquanto ele estava fora de casa. Bom, daí esses dias me deparei com o arquivo da parte 6 em uma pasta, aí só me dei ao trabalho de colocar no Youtube.



Té mais.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Coisas normais que dão medo

Ontem eu estava dando uma lida no blog Sinistro ao Extremo quando me veio à mente, de súbito, o seguinte assunto: alguma vez tu já tomou um susto ou teve medo de alguma coisa que, a princípio, não era para ser assustadora? Pois é, comigo acontece isso. Então vou falar das principais coisas normais do dia-a-dia que acabam nos fazendo cagar tijolos às vezes.

Edit: aparentemente o blog Sinistro ao Extremo não existe mais, pelo que pude observar ao clicar no link acima (verifiquei se o link estava errado, e não é o caso), o que é uma pena.


1 - Manequins


Esses dias eu fui mostrar o filme Eu Sou a Lenda para o meu irmão e acabei revendo o filme inteiro com ele. Aí relembrei as cenas dos manequins. Não vou explicar as cenas, mas veja o filme, garanto que não é nada de mais (na verdade a primeira cena é até cômica). Mas sei lá, me sinto meio inquieto quando vejo manequins. Não chega a ser medo mesmo; como eu falei, é mais uma sensação de inquietude.

E não é nem pelo manequim em si, mas geralmente pela atmosfera criada pela presença do manequim no lugar. Meio difícil explicar. E também bate um medo quando acontecem situações tipo aquelas cenas de filmes: um cara olha e lá está o manequim. Daí depois de um tempo ele olha de novo e o manequim está em outra posição, ou nem está mais ali. O medo nem é pelo manequim em si, pois obviamente é um objeto inamimado e nunca se mexeria. O problema é a pergunta que vem imediatamente após essa conclusão: Quem ou o que o mexeu?

Tente me convencer de que manequins são legais depois desta imagem.


2 - Bonecas e fantoches


Seguindo no mesmo estilo dos manequins (modelagem da figura humana), temos os diversos tipos de bonecas e fantoches. E reparem que fui bem específico ao dizer "bonecas. Action figures e bonecos à la Comandos em Ação, por exemplo, não me causam transtorno algum. Pelo contrário; brincava muito com meus inúmeros bonecos e até faz pouco tempo que doei eles a uma instituição para crianças carentes.

Mas essas bonecas-bebês, feitas para meninas, caramba... Piscam os olhos, falam, caminham, umas até fazem xixi! Parece que foram feitas para nos assustar. Esses dias eu vi um comercial antigo da Boneca que Ri-Bastante, e nossa, aquilo é maligno. Ah, e há também aquelas de porcelana, mais "quietinhas", e talvez por isso, mais perturbadoras ainda.

Que olhar adorável.

E o que falar dos fantoches? Lembra daqueles teatrinhos de fantoches das festas de aniversário no Mc Donald's? Nunca simpatizei com aquilo lá. Na real tu sabe que é só um cara mexendo a mão e fazendo a voz do boneco, mas tu sempre fica pensando que tem alguma coisa estranha com os tais fantoches. E por que eles têm que fazer os bichos tão feios, não? Assim traumatiza a gurizada, pô.


3- Sombras


Assim como as nuvens no céu ou os ideogramas estranhos da língua japonesa podem formar desenhos bonitinhos para pessoas imaginativas, as sombras formadas pelas bugigangas na estante também podem tomar formas um tanto macabras num quarto escuro à noite. Lembro que uma vez, quando eu já estava coberto na cama, quase apagando, tomei um baita cagaço porque quase pude ter certeza de que havia um morcego no quarto, tal era o realismo da sombra formada por uma combinação de sei lá quais objetos que eu deixava na estante à época.

Cacilda!

Às vezes também acontece de estarmos caminhando na rua num fim de tarde, de costas para o sol, e devido ao pequeno ângulo de incidência dos raios solares as sombras aumentam de tamanho. Aí sei lá, tem duas crianças trocando passes com uma bola atrás de ti, até que uma delas chuta a bola mais alto, de forma que a sombra da bola se projeta no chão à tua frente, e como a sombra está bem maior, tu acha que vai cair um puta meteoro na tua cabeça. Não riam, eu sei que já aconteceu alguma situação análoga com todo mundo.

Se eu sair por aí falando que tenho medo de sombras, vai parecer ridículo, mas falando sério, quem é que nunca levou um sustão por causa de uma sombra? Admita, sombras assustam.


4 - Mensagens subliminares


Tá aí uma coisa que geralmente já tem o intuito de nos deixar cabreiros, confusos, como acontece com as capas de alguns álbuns dos Beatles, por exemplo, mas outras vezes a ideia é só fazer uma propaganda "inofensiva". Uma vez vi um vídeo, não sei se era na internet ou se era um programa de TV, mas lembro que estavam falando sobre a influência dessas "mensagens", e mostravam imagens de um outro programa qualquer em câmera lenta, e aí uma hora dava pra ver rapidamente uma foto com o logotipo do Mc Donald's (com o programa rodando em velocidade normal era impossível detectar).

Um dos casos mais famosos de supostas mensagens subliminares: a capa do álbum Abbey Road, dos Beatles. Para maiores informações, pesquise por "Paul is dead".

O medo surge quando refletimos sobre a efetividade dessa técnica de merchandising. Será que essas coisas realmente nos influenciam? Será que comprei o refrigerante X na padaria por vontade própria ou foi porque encheram o meu sub-consciente de mensagens de 30 microsegundos dizendo "Compre X"? Pensar na ideia de ser facilmente controlável por alguém dá bastante medo.


5 - Corredores


Corredores são sinistros. Por quê? Ok, olha só: qual o princípio de um corredor? É um caminho que serve de conexão entre as peças de uma casa, ou entre os apartamentos de um andar de um prédio, ou entre duas ou mais áreas fechadas quaisquer. Isto significa que as pessoas usam corredores para chegar aos seus destinos finais. Ou seja, em geral as pessoas não ficam nos corredores, só passam por eles. Conclusão: a menos que tu encontre alguém que também esteja se deslocando nele, nunca há ninguém num corredor. E o que acontece quando estamos num lugar em que não há ninguém, mas que sabemos que pode aparecer alguém a qualquer momento? Ficamos com medo.

Na verdade lugares vazios em geral dão medo; corredores não são exceção. Claro, tirando corredores agitados, como os de hospitais por exemplo, onde sempre há médicos e pacientes caminhando pra lá e pra cá (a não ser que sejam corredores de hospitais abandonados de filmes e jogos de terror; esses aí estão quase no topo da lista de lugares assustadores).

Outra merda dos corredores é o fator claustrofobia. Só há uma dimensão para fugir caso surja um problema. Como diria tio Sílvio, "vem pra cá ou vai pra lá." Se vem um zumbi de cada lado, fudeu!

Corredores... são... sinistros.


6 - Mendigos e malucos das ruas


Esses caras são imprevisíveis. Num dia tu passa por um mendigo na rua e ele te cumprimenta com um amigável (embora desdentado) sorriso no rosto. No outro, ele manda tu dar dinheiro e te xinga de filho da puta. O negócio é passar reto sem nem olhar (ou olhar pelo canto do olho pra se certificar que ele não vai vir te atacar), e sair de perto rápido. Sabe-se lá o que diabos o cara vai fazer se tu parar e der qualquer atenção.

A outra categoria é a dos loucos, que geralmente também são mendigos, mas nem sempre. Teve uma vez que eu estava a pé, voltando da aula para casa, quando me deparei com a curiosa figura de um homem de paletó com um pedaço de pau na mão direita. À medida que eu me aproximava, percebia que ele estava resmungando qualquer coisa sem nexo sobre o Miranda, se é que não me falharam os ouvidos. Não me preocupei em prestar atenção o suficiente para que o monólogo começasse a fazer algum sentido. Seguindo o bom senso, atravessei a rua e segui meu caminho na outra calçada, a passos largos e ligeiros.

- E depois dizem que eu não tô bem da cabeça, veja só o senhor, mas eles são tudo uns puto, não sabem nada...


7 - Animações feitas com massa de modelar


Uma imagem vale por mil palavras. Um vídeo vale por mil imagens.




8 - Vinhetas da MTV


Todo mundo fala das vinhetas da MTV no Brasil, inclusive existem várias comunidades sobre isso nas 50 milhões de redes sociais que existem hoje em dia. Se não me engano rolou até um processo porque colocaram subliminarmente imagens de sexo explícito e umas paradas satanistas em uma das vinhetas. Tenso.


De fato, a maioria das vinhetas são angustiantes e nenhuma delas faz muito sentido. Começo até a achar que eles fazem isso para assustar mesmo, mas como não é uma coisa assumidamente com este propósito, como um filme de terror ou um Silent Hill da vida, acho que dá pra colocar nessa lista e categorizar as tais vinhetas como "coisas normais".

Se duvida da bizarrice do negócio, clique AQUI para ver uma vinheta que não chegou a ser veiculada, denominada A Boneca. No mínimo, perturbador.


9 - Anomalias


Ninguém tem coragem de falar que tem medo disso, porque todo mundo pensa naquelas pessoas que nascem sem metade de um braço (com aquelas pequenas protuberâncias no lugar de dedos), no nanismo ou na síndrome de Down. Então ninguém fala que acha anomalias estranhas e assustadoras por causa do medo de ser chamado de preconceituoso, etc. Não tenho problema com os três casos citados, inclusive são anomalias "comuns" e não há nada de mais nisso. Aliás não entendo como algumas pessoas sempre acham que estamos falando mal de alguém só porque usamos expressões um tanto fortes para descrevê-las; dizer que um cara tem uma anomalia de maneira nenhuma significa dizer que ele é inferior, retardado ou um pobre coitado. Mas enfim, sempre tem um tonto que matava as aulas de Português e não sabe interpretar o que lê...

Mas, voltando ao assunto, tem uns casos que, sejamos francos, são bizarros. Gêmeos siameses, o tal do Homem-Polvo e o famoso Homem Elefante, cobras e cães de duas cabeças, hermafroditismo e outras coisas que nem é bom citar para não incentivar pesquisas no Google Imagens.

E não é Photoshop.

Entretanto, o medo não é devido à pessoa que tem a anomalia, mas por causa da chance de algum dia vir a ter um filho com a anomalia, pois desejamos que nosso filho nasça saudável, e sabemos que muitas anomias estão ligadas a graves problemas de saúde. Sem falar no sofrimento psicológico que a criança passará, pois sempre será o alvo das atenções e as pessoas, mesmo tentando disfarçar, olharão curiosas ou desconfiadas para ela, e tenderão a se afastar da criança. Então não é medo pelo fato de ser pai da criança, mas sim um temor por possíveis problemas de saúde dela e pela discriminação que ela sofrerá ao conviver em sociedade.


10 - Coincidências


Coincidências? Que tosco... Está pensando no quão frangote subnutrido cagadinho eu sou, né? Tenho medo de tudo! Ah, mas vai dizer que o caro leitor nunca achou no mínimo esquisitas certas coincidências do dia-a-dia? E às vezes acontecem não uma, nem duas, mas uma sucessão de várias coincidências num só dia, num só momento ou com uma só pessoa, o que soa mais estranho ainda. Nem é preciso que eu fale de experiências pessoais, tenho certeza que todos já testemunharam assustadoras situações de coincidência.

Neste caso, acredito que o medo venha quando paramos para pensar nas probabilidades de que certo número de eventos ocorra simultaneamente resultando na tal coincidência. Eu, particularmente, não acredito na ideia de destino pré-determinado, mas sim na ideia de que fazemos nosso destino. Ou seja, cada e qualquer ação que qualquer ser (vivo ou não) faça terá um impacto em um imenso número de outros seres no universo, alterando o rumo que a história poderia tomar se fosse feita outra ou nenhuma ação. E quando paramos para pensar na combinação de acontecimentos e ações necessárias para que certas coincidências ocorram (e principalmente nas probabilidades envolvidas), concluimos que é incongruente não pensar que haja uma "Força Maior" controlando todos esses acasos a bel-prazer (o que inclusive contradiz minhas crenças sobre o destino).

Seríamos nós marionetes do nosso próprio destino?

Simplificando o blá-blá-blá, o ponto é: se uma Força Maior (ou Deus, se preferirem) existe, ele controla todas as ações de todos os seres no universo? Ou somos dotados de livre-arbítrio? Espero que seja válida a segunda, pois, de forma semelhante às mensagens subliminares, é assustador pensar na ideia de ser controlado, mesmo que seja a vontade divina.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Meio caminho andado

Nada de mais, um post só para manter-vos informados sobre a quantas anda a minha promessa do ano de assistir 100 filmes até o dia 31 de dezembro. Ontem passei da metade; totalizei 51 filmes completos. Não deu pra manter o alto ritmo de downloads do início do ano, então optei pelas locadoras mais vezes nos últimos meses. Eis a lista por enquanto:

Filmes vistos em 2010:

Bastardos Inglórios
Prova de Fogo
Avatar
Adventure Land
Top Gang 2: A Missão
O Iluminado
Donnie Darko
Pi
Oldboy
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
500 Dias com Ela
Clube da Luta
O Lutador
Réquiem para um Sonho
Onde os Fracos Não Têm Vez
Zodíaco
Cubo
Fanboys
Amnésia
Quero Ser John Malkovich
Street Fighter: A Lenda de Chun-Li
Beleza Americana
Caso 39
Tempo de Violência
Caché
O Balconista
O Livro de Eli
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
Dançando no Escuro
Cães de Aluguel
Zeitgeist
Perfume - A História de um Assassino
Teoria da Conspiração
Os Suspeitos
A Estrada
Blade Runner - O Caçador de Andróides
Uma Mente Brilhante
O Silêncio dos Inocentes
Gran Torino
Eu Sou a Lenda
Grindhouse - Death Proof
Uma Noite de Amor e Música
Os Imperdoáveis
Os Doze Macacos
Apocalypse Now Redux
Cloverfield - Mosntro
El Topo
Melhor é Impossível
2012
S. Darko - Um Conto de Donnie Darko
Passageiros

Ainda dá pra citar mais 3 filmes, mas não entraram na lista oficial, pois não os vi do início ao fim:

Audition
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Balconista 2

A média está boa: ainda nem chegou exatamente na metade do ano e já passei de 50 filmes. Segundo meus cálculos, se eu continuar assim completo os 100 com folga.

Minhas indicações indispensáveis pra vocês ficam assim:

Bastardos Inglórios
Donnie Darko
O Lutador
Anmésia
Tempo de Violência
Dançando no Escuro
Zeitgeist
Blade Runner - O Caçador de Andróides
Gran Torino
Eu Sou a Lenda

Maiores bombas até agora:

Prova de Fogo
Street Fighter: A Lenda de Chun-Li
Perfume - A História de um Assassino
Melhor é Impossível
2012

Té mais.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vamos Jogar Silent Hill 3 - Partes 4 e 5

Gravei essas partes já faz um tempão, já estava tudo upado no Youtube, mas esqueci de postar aqui. Não estou jogando atualmente, então acho que deve demorar até sair a continuação. E gravar, converter, editar, upar e postar no blog dá um trabalho filadapú, muito chato. Mas de qualquer jeito, curtam aí o que tem por enquanto.





Té mais.

domingo, 30 de maio de 2010

SPA, o mal de uma geração

Fiquei com vontade de escrever sobre um assunto mais sério, pois já estou quase começando a me auto-diagnosticar com um problema assustador: a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). A SPA é descrita por Augusto Cury, um psiquiatra e escritor brasileiro (acredito que já mencionei ele uma vez aqui no blog), como um resultado do excesso de informações desordenadas com as quais somos bombardeados todos os dias atualmente, e produz sintomas tais como irritabilidade, problemas de memória e de concentração, alteração do sono e ansiedade. Vou falar algumas coisas que não só vêm acontecendo comigo, mas acredito que com várias outras pessoas também.

Ultimamente tenho tido alguns problemas não só para memorizar conceitos importantes para avaliações da faculdade, como para me lembrar de coisas em geral. Às vezes estou lendo um livro e em certo ponto é mencionado o nome de uma personagem da história, mas não consigo me lembrar quem ela é, fico confundindo com outras personagens e tenho que voltar não sei quantas páginas do livro para esclarecer quem é a tal personagem. Ou então estou falando com alguém sobre alguma coisa, aí o assunto dá uma pequena desviada e logo em seguida já não consigo lembrar o que estava sendo dito antes. Nomes de ruas também não consigo me lembrar de jeito nenhum, e por isso sempre fico embaraçado ao ter que dar informações para alguém na rua. E em várias outras situações a memória me falha.

Tenho sentido a questão da ansiedade também. São poucas as vezes em que consigo me sentir bem sem fazer nada. Sempre tenho que ficar fazendo alguma coisa, nem que seja desperdiçar todo o tempo na internet. E quando estou fazendo algo assim, sempre fico pensando que poderia estar fazendo outra coisa melhor, ou que deveria estar estudando. Sempre aquela tensão, não dá pra relaxar, sabe? Tem vezes que estou voltando da aula e fico pensando: Hoje vou estudar ou vou jogar um PS3? Mas aí chego em casa e fico enrolando no PC (Orkut, Youtube e outros males internetescos), com preguiça tanto de estudar, porque é chato fazer os exercícios, como de jogar videogame, porque muitas vezes faz tempo que não jogo e tenho preguiça de jogar aquele período inicial até me reabituar aos comandos do jogo. No fim não faço nem um, nem outro, e fica aquela sensação ruim de mau aproveitamento do tempo.

Cada vez mais somos entupidos com quantidades absurdas de informação. Basta olhar o terror que é estar no 3º ano do Ensino Médio. Para aumentar as chances nessa concorrência que é o vestibular, temos de nos submeter a 8, 9 horas que aula por dia durante a semana, muitas vezes temos aula aos sábados e domingos, juntando colégio e cursinho, e há gente que além disso faz cursos de língua estrangeira ao mesmo tempo. Isso sem falar no tempo que a criatura passa estudando em casa, por conta própria. E pra quê? Pra entrar numa faculdade, esquecer 80% de tudo e ser apresentado a quantidades maiores ainda de informação num tempo menor. Algumas aulas de faculdade precisam ser lecionadas tão rápido que chega a ser hipocrisia supor que o aluno tenha entendido tudo que foi dito.

Mas apesar disso, pessoalmente acho que o problema da SPA se dá majoritariamente por causa da facilidade de informação que a internet proporciona. Tu lê alguma coisa interesante ali, depois é levado por um link pra uma outra coisa lá, aí tu gosta do assunto, procura no Google e vê mais uma porrada de coisas sobre o tal assunto, e no final passaram 4 horas sem nem sentir a passagem do tempo. E tu nem consegue mais lembrar a primeira coisa que tu tinha visto.

Quer ver um exemplo? Faz tempo que não leio uma obra literária "expressiva", então estava fazendo uma busca por recomendações na internet. Bom, aí primeiro achei esse post aqui, do Nerds Somos Nozes. Depois fui olhar nos comentários do post e já consegui tomar conhecimento de mais algumas obras. Segui a busca e cheguei a diversos outros livros, mas não anotava nada, pois na minha cabeça eu estava só fazendo um overview, um "basicão" do que eu poderia pegar pra começar a ler. Fui indo, e nisso se passaram 2 horas de pesquisa.

Resultado: esqueci vários dos nomes dos livros que tinha achado interessantes, e agora não consigo mais achá-los. E os que eu lembro o nome, fiquei indeciso sobre qual começo a ler primeiro. Pesquisei tantas obras, tantas temáticas legais, li tantas opiniões diferentes sobre os livros, que agora não sei por onde começar. Fica uma sensação de imensidão, de que é preciso selecionar muito bem o que vamos ler, já que não podemos ler tudo nessa vida, e essa sensação nos deixa perdidos, nos gera ansiedade. É por isso inclusive que hoje em dia as pessoas gostam tanto de listas de Top 10 isso, Top 50 aquilo, Top 100 whatever, etc. Mas isso já é assunto para outro dia, hehe.

No passado, não se tinha tanta informação à disposição com tanta facilidade e rapidez. Tu ía lá comprar a fita ou o vinil do artista tal porque tu via um clipe dele na TV, uma música no rádio ou porque um amigo teu tinha te indicado. Hoje nós temos acesso a catálogos colossais de artistas de estilos inimagináveis num piscar de olhos, digo, num clique do mouse.
Tudo que é demais faz mal, como é de conhecimento geral. Saber muito é legal, mas pegar leve e dar um tempo pro cérebro também. Um amigo indicou um filme que ele achou muito bom? Confie nele; veja logo o filme em vez de ficar procurando algum outro considerado melhor pela crítica. Se for legal, beleza. Se não for, pelo menos agora tu tens uma opinião própria agora!

Renato Russo reclamava da "geração Coca-Cola". Será que algum dia vamos ter alguém para reclamar da nossa deprimente geração Internet, do excesso de informação mastigada, da falta de pensamento crítico, ou estamos condenados engolir a alienação proporcionada pelos Cines, Restarts e o caralho a quatro para sempre? Que tal produzirmos um pouco de conhecimento? Vá escrever.


Desculpas e outras coisas quaisquer

Primeiramente gostaria de me desculpar pelo texto totalmente nonsense do último post. Sabe como é, né? Às vezes estamos sem inspiração... Queremos escrever, mas não sabemos sobre o que, aí do nada dá um estalo na cabeça e surgem umas ideias muito loucas (interprete "loucas" da maneira que quiser), que a gente acha que vai ficar legal mas depois fica "nada a ver".

E o texto de hoje, contrariando a premissa básica de "aprender com os próprios erros", vai continuar seguindo esse estilo falar o que vier à mente. Nenhum assunto específico, nada de roteiro, só um amontoado de pensamentos. Mas dessa vez tentarei escrever, sei lá, alguma coisa não tão "Mas hein?!"

Creio que os últimos posts, em geral, não tenham sido assim tão chatos, mas percebi que sempre uma hora ou outra tenho uma "recaída" e acabo fazendo um post puta pé-no-saco. Tem assuntos que simplesmente não são legais. Ponto. Tipo, ninguém quer saber como acordei no domingo, ou como é a merda da cadeira de Equações Diferenciais do curso de Engenharia Mecânica, ou se a tal da Lady Gaga tem pinto ou não (tá, sobre a última as pessoas só fingem que não querem saber). Que coisa chata, cara. Tudo bem, até pode ter um louco lá que também fez a cadeira de Equações, que por acaso leu o post e achou legal, mas voltando à cruel realidade, qual a probabilidade de isso acontecer, sobretudo no meu blog? Nem sequer me preocupo em fazer uma divulgação decente desta naba!

Sempre quando eu me toco que estou começando a colocar uns textos muito sem noção ou de público alvo muitíssimo restrito, ou até mesmo quando começo a postar asuntos repetitivos um atrás do outro, tento reler algumas das minhas próprias postagens lá do início do blog, para tentar meio que "voltar às origens" e buscar inspiração para assuntos mais legais.

O problema é que com a rotina da vida e outras preocupações, a gente acaba ficando sem assunto de vez em quando, embora não tenha perdido a necessidade de se comunicar. É aí que sai merda.

E isso acontece até na vida real mesmo, já repararam? Tem vezes que tu está com muitas provas pela frente, e fica o tempo inteiro estudando por vários dias. Daí quando chega num intervalo entre uma aula e outra na faculdade, por exemplo, tu fica sem o que falar com os colegas. O máximo que tu consegue é puxar papos do tipo "Pô, e aquela questão da prova tal, tava foda, hein...", ou "Bah, tu conseguiu fazer aquela questão tal da lista de exercícios? Será que vai cair uma assim na prova?". Isso acaba se tornando um papo muito chato porque todo mundo estudou afu em casa em ninguém quer ficar falando de aula, estudo e provas no tempo livre do intervalo. Aí tu termina o assunto rapidamente, e fica aquele silêncio constragedor, todo mundo esperando alguém falar alguma outra coisa...

Quando estou sem ideias e não estou com tanta preguiça, também procuro ler outros blogs e ver que tipos de assuntos eu acho interessantes, e tento analisar o porquê de serem interessantes ou não. Assuntos polêmicos, por exemplo, sempre dão um up quando a coisa está meio parada. Quem é que não curte uma polêmica, né? Basta dizer que tu não acredita em Deus e voilà: tu tens automaticamente 197.546 comentários no seu post ou vídeo. Ah e falar mal de algo também é uma ótima estratégia, pois gera atrito de opiniões, e por isso sempre gera polêmica. Se tu falar algo como "Eu não acredito em Deus, e ele é otário", por mais incoerente que essa frase possa ser, pode esperar comentários de todos os tipos pelo resto da vida.

Outra coisa que sempre dá certo é o humor. Fazer as pessoas rirem, aliás, é a chave-mestra para quase qualquer obstáculo na vida. Quer dinheiro? Não vá fazer malabarismo com três limões no semáforo. Peça ao motorista para abrir a janela e conte uma piada. O teu vizinho não vai com a tua cara? Ridicularize o time de futebol rival do time que ele torce. Tá difícil catar mulher? Primeiro faça-a sorrir com um comentário ou uma ação idiota. Quer amigos? Seja palhaço, deixe as pessoas rirem de ti.

É claro que existem diversos tipos de humor; o que agrada Fulano pode não ser engraçado para Ciclano, e vice-versa. Mas o que interessa é que tu sempre acerta o gosto de alguém. Para cada pessoa que achou de mau gosto há outra que se cagou de rir.

Eu juro que ía falar de alguma outra coisa que agora esqueci, mas de qualquer jeito o post já está bastante alongado, então fico por aqui. Té mais.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Diálogo

- Já reparou como o tempo é uma coisa importante?
- Ô, se é... Principalmente agora.
- Viu?
- O quê?
- Tua frase.
- Que tem ela?
- Tu relacionou a importância do tempo a um instante de tempo.
- Como assim?
- É, tu disse: "Principalmente agora."
- E tô errado?
- A questão não é essa.
- É o que, então?
- É esse negócio do tempo, cara. A gente relaciona o tempo a tudo; aliás, relacionamos tudo ao tempo.
- Pois é.
- Olha só, a gente usa o tempo pra entender tudo. Deixa eu ver... Ó a escola, por exemplo. Pra gente compreender a nossa sociedade, a gente precisa estudar História, porque pra saber como as coisas são hoje, precisamos saber como as coisas eram no passado, e como e por que tudo mudou.
-Sim.
- Biologia, então. Por que o ser humano é do jeito que é? Pra saber isso temos que entender que tudo foi evoluindo com o passar do tempo, que antes tinha o peixe lá, depois ele foi pra terra e foi se modificando até virar um mamífero.
- Cuida o sinal.
- Até na nossa fala, cara. Pra entender completamente as ideias a gente precisa da noção de tempo. Eu vou, eu fui, eu ía, eu irei...
- É, tem razão.
- E o mais louco é que essa noção é criada pela cabeça do homem. Nós que criamos isso, e usamos isso em tudo.
- É, é incrível como nós ficamos tão dependentes de coisas que nós mesmos criamos, que não existiam antes.
- Certamente. E se for parar pra pensar, nós criamos essa noção, mas nem nós mesmos sabemos direito o que é.
- Não sabemos o que é o quê?
- O tempo, porra!
- Cuidado aí, olha pra frente, pô.
- Tá, tá... Mas quer ver? Me diz aí, que que é o tempo?
- É... É... Pô, é o tempo. Não tem o que dizer, É auto-explicativo.
- Ah, difícil, né... Agora me diz: como é que se tu falar a palavra "tempo" pra uma pessoa, ela entende automaticamente, como se já nascesse sabendo?
- Sei lá.
- É, porque se tu falar "tempo", não é que nem falar "pedra", por exemplo. Uma pedra é um objeto, uma coisa absoluta, não é uma ideia abstrata...
- Não sei... Acho que é a mesma coisa que falar em amor. Tu só sabe o que é e pronto, não dá pra descrever através de coisas concretas.
- Bom, mas há quem não acredite em amor. E um pivete de 11 anos que nunca namorou ninguém, sabe o que é amor sem nem vivenciar? Já o tempo esse mesmo moleque sabe o que é.
- Se ele tem uma família boa, ele sabe que ela ama ele, mesmo que ele ainda não ligue pra porra nenhuma. Vai dizer, essa molecada de hoje só quer saber de jogar jogo no PC.
- Hahá, é verdade.
- E outra coisa: e um bebê de um ano vai saber o que é o tempo?
- Aí é que tá, eu acho que sim, cara.
- Ah, vai se foder.
- Não, espera, deixa eu falar. Eu acho que sim, porque talvez seja uma coisa de instinto. O homem criou na própria cabeça a definição de tempo, mas será que um animal não tem noção de movimento do tempo?
- Pensando assim, acho que sim, né?
- Sim. Olha só. Eu como alguma coisa. Dali a pouco, eu sei que eu tenho que comer de novo. Como é que eu sei?
- Porque senão tu morre, ora.
- Tá, sim, mas digamos que eu sou um animal. Eu não penso. Eu sei que tenho que comer de novo porque o estômago começa a doer de fome, certo? Talvez um animal não tenha uma noção de passagem contínua do tempo, como nós, mas instintivamente ele tem uma noção de mudança de estado. No caso, o estado "sem fome", no qual ele descansa, e o estado "com fome", no qual ele procura alimento. É uma noção de ciclo.
- Tipo aqueles povos antigos lá, os... Hãn... Maias. Os calendários deles eram todos em círculos, por causa dessa percepção de tempo como um ciclo.
- Sério?
- Aham. Ó, vira ali.
- E os caras faziam altas previsões, né?
- Sim, pelo que ouvi por aí.
- Esse tipo de coisa que eu acho muito foda, cara. Olha a capacidade da mente. O cara percebe padrões e usa isso pra prever o que vai acontecer daqui a não sei quantos anos na frente.
- Pois é.
- E o futuro é uma coisa fantástica. Na prática o futuro não existe, só o que existe, a cada intante, é o presente. Mas a gente consegue pensar no futuro de modo a fazer planos pra daqui a vários anos.
- Sim.
- Outra coisa é o limite entre o imprevisível e o previsível. Eu posso até fazer planos, mas não sei nem se ainda vou estar vivo. Mas se eu te disser que daqui a alguns centésimos de segundo eu vou falar mais uma palavra, não só posso te afirmar com certeza que vai acontecer, como de fato já aconteceu. Até que ponto se pode ter certeza sobre o futuro? Ou será que nada é cem por cento certo e tudo são probabilidades?
- É...
- Tá achando muito louca essa conversa, né?
- Eh, não...
- Ah, pode falar, rapá!
- É que é meio sem sentido ficar pensando nisso tudo.
- Ah, mas esse é o principal problema das pessoas hoje. Elas não pensam nisso. Aliás, elas não pensam. E sabe por quê? Justamente porque quando elas pensam elas chegam à conclusão que nada faz sentido.
- Tá dando uma de filósofo agora? Vai ter que parar de fumar bagulho antes de trabalhar, hein...
- Típica resposta de quem tá perdendo a razão.
- Tô perdendo nada, tu é que tá viajando demais.
- Pára pra pensar um pouco, cara. Não tem um pouco de verdade isso que eu tô falando, que as coisas não têm sentido?
- A vida tem sentido. É ser feliz. Ou tentar, pelo menos.
- Ah é? Pensa no que te faria feliz. Por que te faria feliz? Porque alguém antes já definiu que é isso que faz as pessoas felizes? Melhor ainda, o que é felicidade?
- Só pergunta difícil, hein.
- É aquilo que eu disse antes. A felicidade, assim como o tempo, é uma ideia criada pelo homem pra tentar dar sentido pra vida, porque ele não se conforma que as coisas não tenham sentido nenhum de existirem. Olha os animais de novo, cara. Eles só nascem, comem, bebem, crescem e morrem, mas antes procriam, só para acontecer de novo a mesma merda até o fim dos tempos, se é que haverá um. Qual o sentido disso?
- Talvez nada tenha sentido mesmo.
- Exato. Qual o sentido de estarmos fazendo isso aqui? Apenas atrasar o curso "natural" de acontecimentos, que gerarão acontecimentos, que gerarão mais acontecimentos num ciclo que sabemos que não tem fim.
- Aos olhos de um "ser maior", sim, mas para uma pessoa pode ser o presente de continuar desfrutando da "falta de sentido" da vida dela.
- O que dá na mesma, já que não tem sentido nenhum mesmo.
- Hahahá, tu não tem jeito... Putz, é ali. Pára logo aí.
- Pensando bem, cara, acho que às vezes é bom dar algum sentido à vida. Senão pode dar nisso.
- Tira essa merda de cinto e vai me ajudar a pegar a maca de uma vez!